A 13.ª edição do Prémio Empreendedorismo e Inovação do Crédito Agrícola recebeu 316 candidaturas, o número mais elevado desde a criação da iniciativa.
Entre os finalistas encontram-se soluções para reduzir o desperdício alimentar, desenvolver novos materiais para embalagens, recuperar solos, gerir recursos florestais e melhorar a utilização da água na agricultura.
O prémio, que este ano conta com uma dotação global de 35 mil euros, está organizado em três categorias: Investigação e Inovação, Desenvolvimento Local e Impacto Climático e Adaptação. Cada uma terá um vencedor, que receberá 10 mil euros. Está ainda prevista uma Menção Honrosa – Prémio Revelação, no valor de cinco mil euros, destinada a projetos em fase inicial com potencial de desenvolvimento.
Investigação e Inovação
Nesta categoria foram selecionados três projetos ligados à conservação alimentar e ao desenvolvimento de biomateriais.
O Ripenew desenvolveu um dispositivo que permite capturar o etileno, gás que acelera o amadurecimento da fruta. A tecnologia procura prolongar o período de conservação dos produtos e reduzir as perdas após a colheita.
O STEMPAD apresenta uma solução para embalagens de carne fresca, através de uma almofada absorvente biodegradável produzida a partir de resíduos da indústria vitivinícola. O material incorpora propriedades antioxidantes e antimicrobianas, com o objetivo de preservar a qualidade dos alimentos e reduzir a utilização de plástico nas embalagens.
Já o CARBONEXT trabalha na transformação da goma de alfarroba em biomateriais, com possíveis aplicações na agricultura de precisão e na conservação e embalamento de produtos alimentares.
Desenvolvimento Local
A categoria Desenvolvimento Local reúne projetos relacionados com a gestão do território, a biodiversidade e o aproveitamento de recursos.
A BMF – Rede de Miniflorestas propõe a criação de miniflorestas comestíveis em territórios rurais de baixa densidade populacional. A iniciativa pretende contribuir para a regeneração dos solos, o aumento da biodiversidade e a produção alimentar local.
O projeto Conserva de Siluro procura dar uma utilização alimentar ao siluro, espécie invasora presente em rios portugueses. A transformação deste peixe em conserva pretende contribuir para o controlo da espécie e, simultaneamente, criar oportunidades económicas para as comunidades piscatórias.
O terceiro finalista é o ANIMOB, que desenvolve sistemas de gestão agroecológica através da utilização de herbívoros, práticas de maneio holístico e ferramentas tecnológicas de monitorização. O projeto centra-se na gestão da vegetação, na recuperação dos solos e na redução do risco de incêndio, associando estas atividades à produção pecuária.
Impacto Climático e Adaptação
Na terceira categoria, os projetos selecionados incidem sobre a valorização de resíduos orgânicos, a gestão florestal e a monitorização dos recursos hídricos.
O HUMIVERSO desenvolve equipamentos modulares automatizados destinados à transformação de resíduos orgânicos em fertilizantes naturais, procurando criar alternativas de valorização destes materiais e melhorar a qualidade dos solos.
As Unidades de Gestão Conjunta (UGC) apresentam um modelo de organização florestal que permite gerir em conjunto diferentes propriedades privadas, mantendo a titularidade individual dos terrenos. A proposta procura responder às dificuldades de gestão associadas à fragmentação da propriedade florestal.
Por último, o AQUASAT consiste numa plataforma digital que recorre a imagens de satélite para acompanhar os volumes de água armazenados em albufeiras e prever a sua disponibilidade. A informação produzida destina-se a apoiar a gestão dos recursos hídricos, nomeadamente na antecipação de períodos de seca.
Vencedores conhecidos a 24 de novembro
A cerimónia de entrega dos prémios está marcada para 24 de novembro, às 15h00, na Sala dos Geradores do Museu da Eletricidade, em Lisboa. O evento será aberto ao público, mediante inscrição prévia.
Com 316 candidaturas recebidas, a edição de 2026 regista um novo máximo de participação. Os nove projetos finalistas abrangem diferentes fases da cadeia de valor agrícola e agroalimentar, desde a produção e gestão de recursos até à conservação e ao embalamento de alimentos.