A Sociedade da Água de Monchique cumpriu 27 das 35 metas de sustentabilidade estabelecidas para o período de 2022 a 2025, correspondentes a cerca de 77% dos compromissos assumidos.

O balanço consta do Relatório de Sustentabilidade 2025, que identifica as embalagens e a medição das emissões indiretas como prioridades para o próximo ciclo.

Das 35 metas definidas, cinco continuam em desenvolvimento e três não foram alcançadas: a implementação de um programa interno de mentoria, o objetivo de zero acidentes graves e a realização de um diagnóstico social dos fornecedores.

“A credibilidade de uma organização não se mede apenas pelas conquistas que celebra, mas também pela forma como reconhece os desafios que permanecem. Encerramos um ciclo, não uma ambição”

Vitor Hugo Gonçalves, CEO da Água Monchique.

A área climática foi a única a cumprir integralmente os objetivos estabelecidos, com oito metas concretizadas. O relatório refere-se a um ano em que a empresa registou um volume de negócios de 25,3 milhões de euros e engarrafou 135,4 milhões de litros de água.

Embalagens concentram os próximos desafios ambientais

Um dos principais indicadores apresentados diz respeito à eficiência energética da unidade industrial das Caldas de Monchique. De acordo com o inventário de emissões de 2024, realizado em colaboração com a Veolia, a fábrica apresenta um consumo energético de 2,1 kWh por hectolitro, comparativamente aos 6,4 kWh/hL utilizados como referência setorial pelo Beverage Industry Environmental Roundtable (BIER).

No mesmo exercício, a intensidade carbónica associada ao consumo de eletricidade (Âmbito 2) foi de 0,33 kg CO₂e por hectolitro, face aos 2,42 kg CO₂e/hL da referência internacional. Estes valores representam, respetivamente, um consumo energético cerca de 67% inferior e uma intensidade carbónica aproximadamente 86% mais baixa.

Apesar destes resultados, o relatório identifica as embalagens como um dos principais desafios ambientais. No setor da água engarrafada, estima-se que representem entre 70% e 90% das emissões do ciclo de vida do produto, enquanto o processo industrial corresponde a uma parcela entre 5% e 15%.

Por esse motivo, a empresa pretende avançar com a quantificação das emissões de Âmbito 3, que incluem as associadas à produção das embalagens, transporte e fim de vida dos produtos.

No domínio dos materiais, a Água Monchique apresenta diferentes soluções de embalagem, incluindo a garrafa Monchique Natura, produzida integralmente em PET reciclado (rPET) e sem rótulo, e a Monchique Can, em alumínio.

Os restantes formatos PET, com exceção do garrafão, incorporam 30% de material reciclado desde 2020. Já o Ecopack Monchique de 10 litros permite, segundo a empresa, reduzir em 63% a utilização de plástico comparativamente a dois garrafões convencionais de cinco litros.

Segurança laboral e cadeia de fornecimento entre as metas por cumprir

A 31 de dezembro de 2025, a Água Monchique empregava 90 colaboradores, sendo 40% dos cargos de gestão ocupados por mulheres.

O relatório reconhece que o objetivo de zero acidentes graves não foi atingido, mantendo a segurança no trabalho entre as prioridades do próximo período. Também ficaram por concretizar o programa interno de mentoria e o diagnóstico social da cadeia de fornecimento.

Para o próximo ciclo, a empresa prevê rever a metodologia de definição das metas, passando a estabelecer indicadores de partida mensuráveis, unidades de referência e fontes de dados verificáveis.

A medição das emissões indiretas, a segurança laboral, a avaliação dos fornecedores e a digitalização integram os compromissos que transitam para a nova fase.

O relatório evidencia a diferença entre a eficiência ambiental das operações industriais e os impactos associados ao ciclo de vida das embalagens, uma questão particularmente relevante para o setor das águas engarrafadas, confrontado com exigências crescentes de incorporação de materiais reciclados e redução de resíduos.