Os CTT registaram receitas operacionais de 674,3 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, um crescimento homólogo de 12,9%, impulsionado sobretudo pelas Soluções de Comércio Eletrónico e pelo Banco CTT.

Apesar da subida da atividade, o resultado líquido caiu 41,6%, para 12,9 milhões de euros.

O EBIT recorrente atingiu 41 milhões de euros, menos 12,5% do que no mesmo período de 2025, correspondendo a uma margem de 6,1%. A evolução refletiu a pressão regulatória e o aumento dos custos operacionais, com particular incidência na atividade de desalfandegamento da Cacesa.

Os gastos operacionais cresceram 15,6%, acompanhando a expansão do comércio eletrónico e as alterações no perímetro de consolidação. O grupo passou a integrar a Cacesa, desde maio de 2025, e a DHL Parcel Portugal, a partir de 1 de maio deste ano.

Comércio eletrónico cresce, mas desalfandegamento penaliza margem

As Soluções de Comércio Eletrónico geraram receitas de 343,6 milhões de euros, mais 29,6% em termos homólogos. Em base orgânica pró-forma, excluindo o efeito das alterações no perímetro, o crescimento foi de 11,5%.

O tráfego de correio expresso e encomendas, identificado pela sigla CEP, aumentou 19,4%, para 83,8 milhões de objetos. Em base comparável, a progressão foi de 17,6%.

A atividade acelerou no segundo trimestre, quando os volumes CEP cresceram 24,4%. As receitas desta área atingiram 151,4 milhões de euros entre abril e junho, mais 28,1% do que no período homólogo e 21,2% em termos pró-forma.

O EBIT recorrente do segmento ficou, contudo, em 16,7 milhões de euros, uma redução de 20,9%, com a margem a situar-se em 4,9%. A pressão concentrou-se nas operações não-CEP, relacionadas sobretudo com o desalfandegamento da Cacesa.

No segundo trimestre, o EBIT da atividade CEP aumentou 6,6%, para 10,2 milhões de euros. Já o resultado das operações não-CEP caiu 85,7%, para 600 mil euros, condicionado pela volatilidade do enquadramento aduaneiro e pelos custos de adaptação tecnológica e operacional.

A partir de 1 de julho de 2026, a aplicação de uma taxa fixa de três euros aos envios de baixo valor provenientes de países exteriores à União Europeia poderá afetar os fluxos internacionais durante o segundo semestre.

O grupo continuou também a alargar a sua infraestrutura de entregas. A rede reúne cerca de 20 mil pontos PUDO — locais de recolha e entrega — em Portugal e Espanha. Os CTT dispõem ainda de 1502 cacifos Locky em Portugal, dos quais 1356 são públicos, e de 153 em Espanha, onde estão contratadas mais de 400 novas instalações.

Correio recua devido à comparação com as eleições de 2025

As receitas de Correio e Serviços diminuíram 2,7%, para 256,6 milhões de euros. A comparação foi afetada pelas receitas associadas às eleições legislativas realizadas em maio de 2025. Excluindo esse efeito, o segmento teria crescido 0,6% no semestre e 5% no segundo trimestre.

A atividade beneficiou da colocação de dívida pública, apoiada pelo aumento do limite de subscrição e por taxas de juro mais elevadas, bem como do desempenho das Soluções Empresariais, dos Pagamentos e de uma evolução favorável do mix de correio endereçado.

Os preços do Serviço Postal Universal foram atualizados em 5,97% durante o primeiro semestre. O EBIT recorrente do segmento recuou 7,3%, para 13,9 milhões de euros, mas teria aumentado 17,5% sem o impacto comparativo das eleições.

Banco CTT aumenta depósitos e crédito

O Banco CTT registou receitas de 74,1 milhões de euros, mais 8,1% face ao primeiro semestre de 2025. A margem financeira cresceu 9,7% e as receitas de comissões avançaram 12,6%.

Os depósitos de clientes aumentaram 11,9%, para 4605,6 milhões de euros, enquanto o crédito concedido subiu 16,4%, atingindo 2247 milhões. As poupanças fora de balanço cresceram 17,7%, para 1382,1 milhões de euros.

O EBIT recorrente do banco diminuiu 3,5%, para 10,5 milhões de euros, refletindo os investimentos realizados na rede, nas capacidades comerciais e nos canais digitais. O número de clientes ativos da aplicação CTT aumentou 17%, apesar do encerramento de contas bancárias inativas.

CTT mantêm previsão para o conjunto de 2026

O fluxo de caixa operacional situou-se em 22,2 milhões de euros, condicionado pelo investimento e pela variação do fundo de maneio. A posição de dívida líquida atingiu -24 milhões de euros, beneficiando da constituição da joint venture com a DHL, enquanto os capitais próprios cresceram 24,7%, para 403 milhões.

No final do semestre, o grupo empregava 14 088 trabalhadores, mais 2,1% do que um ano antes, devido sobretudo ao reforço das equipas ligadas às Soluções de Comércio Eletrónico.

Na área ambiental, 55,2% da frota utilizada na última milha já correspondia a veículos considerados verdes. As emissões de âmbito 1 diminuíram 33,2%, e os CTT foram incluídos na lista Europe’s Climate Leaders 2026, publicada pelo Financial Times.

Para o conjunto de 2026, os CTT mantêm a previsão de um EBIT recorrente entre 115 e 125 milhões de euros. A evolução anual dependerá do crescimento do comércio eletrónico, da integração da DHL Parcel Portugal e das medidas de eficiência operacional, num contexto marcado pela volatilidade regulatória, pelos custos dos combustíveis e pelas novas regras aduaneiras.