A escalada militar da ação militar no Irão está a provocar fortes perturbações no comércio internacional, com impacto direto nos mercados de energia, nos transportes marítimos e nas cadeias logísticas globais.
O ponto crítico da crise é o Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial. Autoridades iranianas declararam que o estreito deixou de ser seguro para navegação e ameaçaram atacar embarcações que o atravessem.
Na sequência da tensão, várias companhias marítimas suspenderam ou desviaram rotas na região, enquanto seguradoras aumentaram significativamente os prémios de risco de guerra.
Os mercados reagiram de imediato. O Brent subiu cerca de 8%, atingindo níveis próximos dos 83 dólares por barril, o valor mais elevado desde 2024 . Analistas admitem que, caso haja interrupção prolongada do fluxo no estreito, os preços possam aproximar-se dos 100 dólares por barril. O gás natural na Europa também registou subidas significativas devido ao receio de perturbações nos fluxos de LNG provenientes do Médio Oriente.
Os custos de transporte marítimo aumentaram de forma abrupta. As taxas diárias de superpetroleiros (VLCC) atingiram valores recorde, ultrapassando os 400 mil dólares por dia, segundo dados de mercado. Além do aumento dos fretes, há milhares de navios encontram-se em espera ou que foram desviados, criando congestionamentos e atrasos na entrega de mercadorias .
A combinação de preços mais elevados da energia, aumento de seguros marítimos e congestionamento portuário está já a refletir-se em custos acrescidos de transporte rodoviário e marítimo, pressão sobre indústrias intensivas em energia e maior volatilidade nos mercados de matérias-primas.
Os especialistas alertam que, caso a instabilidade se prolongue, os efeitos poderão repercutir-se na inflação e no crescimento económico global. A evolução da situação no Estreito de Ormuz será determinante para avaliar a dimensão final do impacto económico da ação militar dos EUA e de Israel contra o Irão.