A KKR é atualmente o candidato preferencial à compra da Logoplaste e está em negociações exclusivas com os acionistas da fabricante portuguesa de embalagens de plástico rígido.
A informação foi avançada pela Bloomberg, que indica que a britânica Apax Partners abandonou o processo. Um acordo poderá ser alcançado nas próximas semanas, embora as negociações continuem em curso e não exista garantia de que resultem numa transação.
A eventual operação tem como ponto de partida a saída do Ontario Teachers’ Pension Plan (OTPP), que detém 60% da Logoplaste. O fundo de pensões canadiano começou, em outubro de 2025, a explorar a venda da sua participação, num processo que apontava para uma avaliação da empresa superior a 1,7 mil milhões de euros. UBS e Barclays foram mandatados para assessorar a operação.
A estrutura final da transação ainda não é conhecida. Quando o processo de venda foi lançado, foi admitida a possibilidade de incluir a totalidade da Logoplaste, mas Filipe de Botton e Alexandre Relvas, que em conjunto mantêm cerca de 40% do capital, poderiam também reinvestir ao lado de um novo acionista maioritário.
A KKR estava entre os investidores interessados desde as primeiras fases da operação. Em dezembro de 2025, Apollo Global Management, CVC e KKR já tinham sido apontados como potenciais compradores. Durante o verão deste ano, a corrida ficou mais definida: a KKR e a Apax Partners apresentaram propostas não vinculativas, enquanto a Bain Capital chegou também a ser referida entre os candidatos.
Com a saída da Apax, a KKR passou agora para negociações exclusivas, de acordo com as fontes citadas pela Bloomberg. Não foram divulgados valores de uma eventual proposta nem foi anunciado qualquer acordo pelas empresas envolvidas.
A KKR é uma das maiores gestoras globais de investimentos alternativos. No final de junho de 2026, tinha 796 mil milhões de dólares em ativos sob gestão, dos quais cerca de 255 mil milhões correspondiam à área de private equity. A gestora já tem também exposição ao setor do packaging, incluindo a italiana CMC, especializada em soluções de embalagem automatizadas.
OTPP entrou em 2021
O Ontario Teachers’ Pension Plan tornou-se acionista maioritário da Logoplaste em 2021, quando adquiriu a participação anteriormente detida pela Carlyle. Filipe de Botton e Alexandre Relvas mantiveram então uma posição conjunta de aproximadamente 40% no capital. Os termos financeiros da operação não foram divulgados oficialmente.
A Carlyle tinha entrado na Logoplaste em 2016, iniciando uma fase de expansão que incluiu investimentos na Europa, América do Norte e Brasil e a aquisição da Masterchem, na Polónia.
A atual CEO, Sandra Santos, assumiu funções em 18 de fevereiro de 2025, depois de mais de duas décadas de experiência no setor industrial e de packaging e de ter liderado anteriormente a BA Glass. Filipe de Botton mantém-se como chairman da Logoplaste e Alexandre Relvas integra o conselho de administração.
Caso as negociações com a KKR resultem num acordo, a Logoplaste voltará assim a mudar de acionista maioritário cinco anos depois da entrada do Ontario Teachers’ Pension Plan. Para já, porém, não existe uma transação anunciada e permanecem por conhecer tanto o perímetro da eventual aquisição como o respetivo valor final.
66 fábricas em 17 países
Fundada em Portugal em 1976 por Marcel de Botton, a Logoplaste especializou-se no desenvolvimento e produção de embalagens rígidas de plástico, com particular presença nos setores alimentar e de bebidas, cuidados pessoais e produtos para o lar. A empresa tem sede em Cascais.
A sua rede conta atualmente com 66 fábricas em 17 países, distribuídas por três continentes. Portugal continua a ter uma presença industrial significativa no grupo, com unidades em localizações como Abrantes, Barreiro, Castelo Branco, Estarreja, Guarda, Oliveira de Azeméis, Pedras Salgadas e Mealhada, além das operações da Ecoibéria e WorldPET.
Uma das características do modelo industrial da Logoplaste é a produção denominada wall-to-wall, em que as linhas de fabrico das embalagens são instaladas dentro das unidades dos clientes e ligadas diretamente às linhas de enchimento. Atualmente, 70% das fábricas do grupo funcionam segundo este modelo e outros 21% estão localizados na proximidade das instalações dos clientes.
A atividade do grupo estende-se ainda à reciclagem e produção de matéria-prima. A Ecoibéria tem capacidade para tratar 47.500 toneladas anuais de plástico pós-consumo, enquanto a WorldPET pode fornecer até 12.000 toneladas por ano de rPET de qualidade alimentar.
Os últimos dados consolidados publicados pela empresa indicavam 2.677 trabalhadores em 2024, dos quais 1.457 na Europa e Ásia-Pacífico e 1.220 nas Américas.