A indústria das embalagens de alumínio enfrenta um desafio crescente na comunicação das credenciais ambientais do material, apesar do seu papel nos modelos de economia circular e da possibilidade de ser reciclado repetidamente sem perda de qualidade.
Uma nova análise da GlobalData identifica uma diferença relevante entre o desempenho ambiental associado ao alumínio e a perceção dos consumidores. Segundo os dados da consultora, uma parte significativa do público continua sem reconhecer a reciclabilidade do material ou mantém reservas quanto à sua sustentabilidade.
Richard Parker, Principal Consumer Analyst da GlobalData, considera que esta diferença representa uma questão central para o setor. “Os consumidores a nível global têm uma opinião favorável sobre as embalagens de alumínio, sobretudo quando compreendem a sua reciclabilidade infinita, mas um problema fundamental é que uma minoria considerável não conhece esta característica e continua a ter preconceções negativas sobre a sustentabilidade do alumínio”, afirmou.
De acordo com o mais recente inquérito global da GlobalData, apenas 21% dos consumidores consideram sustentáveis as embalagens metálicas utilizadas em bebidas alcoólicas. No caso das bebidas não alcoólicas, a percentagem sobe ligeiramente para 22%.
Os resultados colocam as embalagens metálicas em níveis de perceção semelhantes aos do plástico e abaixo do vidro, considerado sustentável por cerca de metade dos inquiridos. Esta avaliação contrasta com a capacidade do alumínio de ser reciclado sucessivamente e voltar a integrar novas embalagens, nomeadamente latas de bebidas.
Regulação pode reforçar circularidade
A GlobalData salienta que o setor beneficia de um enquadramento regulatório progressivamente mais favorável. Sistemas de depósito e reembolso, regimes de responsabilidade alargada do produtor e metas para a incorporação de conteúdo reciclado procuram melhorar as taxas de recolha e reforçar os sistemas circulares de embalagem.
Segundo a consultora, estas medidas poderão consolidar a posição do alumínio nos próximos anos, à medida que governos e empresas atribuem maior relevância à recuperação de materiais e à eficiência na utilização de recursos.
No entanto, a evolução regulamentar e os progressos nos sistemas de reciclagem não parecem ter sido acompanhados por um conhecimento equivalente por parte dos consumidores. O debate público sobre sustentabilidade das embalagens tem-se concentrado, durante anos, nos resíduos de plástico, o que poderá ter contribuído para menor visibilidade das características ambientais de outros materiais.
A análise defende que fabricantes de latas, marcas e organizações do setor têm margem para comunicar de forma mais clara o valor do alumínio enquanto material reciclável e recuperável.
A adoção mais ampla de sistemas de depósito e reembolso poderá contribuir para esse objetivo, ao tornar mais visível a devolução de embalagens e a recuperação dos materiais. A GlobalData antecipa que o alumínio deverá reforçar a sua posição como o segundo maior formato de embalagem de bebidas a nível mundial, apoiado pelo crescimento das bebidas prontas a consumir, bebidas funcionais e outras categorias orientadas para a conveniência.