O Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) ultrapassou os 305 milhões de embalagens de bebidas devolvidas em Portugal nos primeiros cinco meses de funcionamento.
O número mais do que triplicou desde julho, quando a Volta, marca sob a qual funciona o sistema, atingiu os primeiros 100 milhões de garrafas e latas recuperadas.
A evolução traduz uma aceleração significativa da utilização da rede. Nos primeiros dois meses após o arranque, a 10 de abril, tinham sido devolvidas pouco mais de 10 milhões de embalagens. Em julho, o total ultrapassou os 100 milhões e, a 10 de setembro, chegou aos 305 milhões. Atualmente, a SDR Portugal aponta para uma média próxima dos cinco milhões de embalagens devolvidas por dia, o equivalente a mais de 3.400 por minuto e cerca de 57 por segundo.
"Chegar aos 305 milhões de embalagens devolvidas em apenas cinco meses é um marco extraordinário", afirmou Leonardo Mathias, presidente da SDR Portugal, destacando a adesão dos consumidores ao sistema.
O crescimento acontece numa fase em que o SDR já deixou para trás o período de transição iniciado em abril. Até 9 de agosto puderam coexistir no mercado embalagens com e sem o símbolo Volta. Desde 10 de agosto, todas as novas embalagens de bebidas de utilização única abrangidas pelo sistema e colocadas no mercado nacional têm obrigatoriamente de estar integradas no SDR.
Rede de recolha continua a crescer
A expansão das devoluções tem sido acompanhada pelo reforço da infraestrutura disponível. A rede conta já com mais de 3.000 pontos automáticos, sobretudo em supermercados e hipermercados, aos quais se juntam pontos de recolha manual destinados, entre outros operadores, a estabelecimentos de menor dimensão que não dispõem de máquinas de recolha automática.
A informação disponibilizada pela SDR Portugal refere igualmente mais de 8.000 locais de recolha manual. Está ainda em curso a implementação progressiva de uma rede de 50 Quiosques Volta, distribuídos por 38 municípios, concebidos para receber grandes quantidades de embalagens de uma só vez.
Sete destes quiosques encontram-se atualmente em funcionamento, em Albufeira, Barcelos, Cascais, Funchal, Ponta Delgada, Portimão e Vila Nova de Famalicão. Outros cinco estão em implementação em Almada, Aveiro, Mafra, Oeiras e Vila do Conde. Os equipamentos têm capacidade para receber cerca de 120 embalagens por minuto e procuram responder, em particular, aos volumes gerados pela restauração, hotelaria e estabelecimentos similares.
Para estes operadores, a SDR Portugal prevê também a possibilidade de levantamento direto das embalagens nos estabelecimentos, mediante acordo com a entidade gestora. A solução procura adaptar a logística de recolha a atividades em que os volumes gerados podem tornar menos prática a utilização dos pontos convencionais.
Meta de 90% de recolha em 2029
O SDR abrange embalagens primárias não reutilizáveis de bebidas em plástico, metais ferrosos e alumínio com capacidade inferior a três litros. Ficam de fora, entre outras, as embalagens de vidro, as embalagens de cartão para alimentos líquidos e as bebidas com mais de 25% de ingredientes de origem láctea.
Por cada embalagem abrangida é cobrado um depósito de 0,10 euros no momento da compra. O valor é recuperado com a devolução da embalagem, que deve estar vazia, intacta, completa, com código de barras legível e identificada com o símbolo Volta.
O universo sobre o qual o sistema pretende atuar é significativo. De acordo com a SDR Portugal, são consumidas anualmente em Portugal cerca de 2,1 mil milhões de embalagens deste tipo. O objetivo é aumentar a quantidade de material recolhido separadamente e, ao mesmo tempo, melhorar a sua qualidade para reciclagem, favorecendo a utilização do plástico e do metal recuperados na produção de novas embalagens.
As metas definidas para o SDR estabelecem uma taxa de recolha de 70%, em peso, das embalagens colocadas no mercado até ao final de 2026, subindo para 80% em 2027 e 90% até ao final de 2029. Esta última meta acompanha os objetivos europeus para a recolha seletiva de embalagens de bebidas.
Os 305 milhões agora registados não permitem, por si só, determinar a taxa de recolha atual, uma vez que esse indicador depende do número e peso das embalagens efetivamente colocadas no mercado durante o mesmo período. Ainda assim, a evolução dos primeiros cinco meses mostra uma mudança de escala do sistema: mais de 200 milhões de embalagens foram devolvidas desde que a Volta atingiu a marca dos 100 milhões, em julho.
Para a indústria das bebidas, fabricantes de embalagens, retalho e setor HoReCa, o crescimento da recolha representa também uma nova dimensão logística. O desempenho do sistema nos próximos meses será determinante para perceber até que ponto Portugal consegue aproximar-se já em 2026 da primeira meta legal de 70% e criar as condições para chegar aos 90% previstos para 2029.