A Comissão Europeia aprovou a aquisição da divisão da BASF, a BASF Coatings, pela Carlyle, ao abrigo do regulamento europeu das concentrações. A decisão fica, contudo, dependente do cumprimento integral de compromissos assumidos pela Carlyle.

Para responder às preocupações de concorrência identificadas por Bruxelas, a Carlyle comprometeu-se a vender o negócio mundial de polissulfetos da Nouryon, empresa que integra o seu portefólio, a um comprador adequado.

A Carlyle é uma sociedade global de investimento. A sua carteira inclui a Nouryon, empresa de especialidades químicas que desenvolve e fornece ingredientes, aditivos e intermediários utilizados em vários mercados, incluindo revestimentos e selantes.

Já a BASF Coatings desenvolve, produz e comercializa revestimentos para a indústria automóvel, tratamentos de superfície para diferentes setores industriais e revestimentos e selantes destinados a fabricantes de equipamento original da indústria aeroespacial.

A investigação da Comissão Europeia concluiu que a operação, tal como inicialmente notificada, poderia criar riscos de bloqueio no acesso a polissulfetos para selantes aeroespaciais. Estes materiais são considerados críticos na produção deste tipo de selantes e não têm substituto disponível para esta aplicação.

Segundo Bruxelas, a Nouryon detém uma posição relevante neste mercado, sendo uma das duas únicas fornecedoras globais de polissulfetos para selantes aeroespaciais. A Comissão considerou ainda que a mudança de fornecedor é um processo dispendioso e demorado para os fabricantes destes produtos.

A autoridade europeia levantou também preocupações quanto à possibilidade de a entidade resultante da operação utilizar informação comercial sensível disponível na Nouryon para colocar concorrentes da BASF Coatings em desvantagem competitiva.

Para eliminar estas preocupações, a Carlyle propôs alienar todo o negócio mundial de polissulfetos da Nouryon, incluindo a unidade industrial de Greiz, responsável por toda a produção de polissulfetos da empresa, bem como ativos, licenças, contratos e trabalhadores associados.

O comprador terá de demonstrar conhecimento dos processos de qualificação de fornecedores industriais, podendo ser uma empresa com experiência comprovada na indústria química ou um investidor financeiro com experiência na gestão de empresas do setor.

Após testar os compromissos junto do mercado, a Comissão Europeia concluiu que a operação, com estas condições, deixa de levantar preocupações de concorrência no Espaço Económico Europeu.

A implementação dos compromissos será monitorizada por um administrador independente, sob supervisão da Comissão Europeia. Bruxelas terá ainda de avaliar e aprovar o comprador proposto pela Carlyle num procedimento separado.