Apesar de se tratar de um setor onde a maioria das empresas apresenta um risco médio de incumprimento, o ano económico de 2024 revelou vários sinais positivos para as empresas produtoras e grossistas de café, chá, cacau e especiarias.

De acordo com dados do Insight View da Iberinform, o setor registou um crescimento de 17% na faturação face ao ano anterior, consolidando a tendência de crescimento já verificada em 2023, quando o aumento rondou os 8%.

A análise evidencia também uma forte concentração geográfica nos principais centros urbanos. Lisboa lidera, concentrando 23% das empresas, seguida do Porto (15%), Braga (7%), Setúbal (7%) e Faro (6%).

Iberinform grossistas

Outro indicador relevante é a juventude do tecido empresarial. Cerca de 40% das empresas foram constituídas nos últimos cinco anos, refletindo um setor dinâmico e em renovação. Um quarto das empresas tem entre seis e dez anos de atividade, outras 25% entre 11 e 15 anos, enquanto apenas 10% operam há mais de 16 anos.

No que diz respeito ao risco de incumprimento, o cenário mantém-se equilibrado: 16% das empresas apresentam baixo risco, 71% situam-se em risco médio, 12% em risco elevado e apenas 1% em risco máximo, um enquadramento que contribui para a confiança global no setor.

A estrutura empresarial é dominada por microempresas, que representam 85% do total, seguidas das pequenas empresas (12%). As médias empresas correspondem a 2% e as grandes empresas a apenas 1%, confirmando o peso das estruturas de menor dimensão.

Melhoria nos prazos de pagamento e recebimento

Apesar de forma moderada, registam-se melhorias nos prazos médios de pagamento e de recebimento. Ambos passaram para 96 e 97 dias, respetivamente, menos um dia face ao período económico anterior. Estes dados apontam para uma maior estabilidade na gestão do fluxo de caixa, reduzindo o risco percecionado por clientes e fornecedores.

Embora o volume de negócios tenha crescido mais de 17% em comparação com 2023, a taxa de exportação registou uma descida no mesmo período. Este comportamento sugere um reforço do consumo interno, aliado a uma valorização dos produtos comercializados pelas empresas do setor.