O Tribunal da Comarca de Lisboa Oeste, com sede em Sintra, declarou a insolvência da Sicasal, histórica indústria de carnes sediada no concelho de Mafra, na sequência de um pedido apresentado pelo Banco Comercial Português (BCP), um dos principais credores da empresa.
A decisão foi publicada no edital judicial e marca a entrada oficial da empresa em insolvência, num processo que terá impactos significativos na produção e no emprego ligados à unidade industrial.
O tribunal nomeou Jorge Calvete como administrador de insolvência e marcou uma assembleia de credores para 4 de março de 2026, altura em que serão avaliadas propostas de recuperação ou, em alternativa, a liquidação da massa insolvente.
Contactado pela agência Lusa, o administrador de insolvência afirmou que a produção está suspensa, mas que “há intenção de apresentar um plano de recuperação para a reativar e há todo o interesse em não encerrar a unidade”. Calvete confirmou ainda que existem vários investidores interessados na empresa.
Segundo dados do Instituto da Segurança Social, a Sicasal empregava 315 trabalhadores no final de 2024, número que caiu para cerca de 260 no final de 2025.
A produção da Sicasal parou no final do verão de 2025 e, em outubro, a empresa avançou com um Processo Especial de Revitalização (PER) na tentativa de negociar um plano de recuperação com os credores. O tribunal, porém, acabou por rejeitar o PER devido à falha repetida na entrega de documentação necessária.
A Sicasal foi fundada em 1968 e, ao longo das décadas, destacou-se como um dos nomes históricos do setor da transformação de carnes em Portugal. A empresa já tinha ultrapassado momentos críticos no passado, como um incêndio em 2011 que destruiu parte da sua área de produção, mas que conseguiu superar com investimentos significativos e preservando postos de trabalho.