A Sparxell angariou 5 milhões de dólares (cerca de 4,23 milhões de euros) numa ronda Pre‑Series A destinada a acelerar a produção da sua tecnologia de cor baseada em celulose, desenvolvida para reduzir o uso de água e substituir pigmentos sintéticos derivados de petróleo.
A tecnologia patenteada utiliza celulose proveniente de pasta de madeira, da qual são extraídos cristais que são reorganizados para refletir comprimentos de onda específicos. O processo permite criar pigmentos, tintas, filmes, brilhos e lantejoulas de origem vegetal. A empresa afirma que estas soluções podem ser integradas em processos industriais existentes e que são biodegradáveis no fim de vida.
A Sparxell prevê utilizar o financiamento para passar de programas piloto para produção em escala industrial, com instalações de produção por tonelada previstas para entrar em funcionamento ainda este ano.
A ronda foi liderada pelo fundo Blue Ocean 2, da SWEN Capital Partners, que investe em soluções relacionadas com biodiversidade marinha. Participaram também a Alpha Star Capital, focada em biomimética e inovação baseada em IA, e a Cambridge Enterprise, investidora da empresa desde a sua criação na Universidade de Cambridge.
O fundador e CEO da Sparxell, Benjamin Droguet, afirma: “As marcas sabem que precisam de eliminar químicos e corantes tóxicos, mas têm tido poucas alternativas que igualem o desempenho dos sintéticos. Estamos num ponto de viragem, com pressão regulatória crescente sobre PFAS, microplásticos e aditivos sintéticos.” Droguet acrescenta que o financiamento permitirá avançar da prova de conceito para a produção e lançamentos comerciais.
Mélanie Le Guen, diretora de investimento da SWEN Capital Partners, refere: “Ao reinventar a cor através de uma abordagem biológica e biodegradável, a Sparxell responde a um desafio ambiental relevante e apoia a transição para práticas mais seguras e sustentáveis.”
Alexandre Cadain, da Alpha Star Capital, destaca a abordagem estrutural da empresa: “Em vez de tentar adaptar a sustentabilidade à química existente, reconstruíram a cor a partir de princípios naturais.”
Chris Gibbs, da Cambridge Enterprise, afirma que o investimento representa um marco para a empresa e para a adoção de pigmentos biodegradáveis. A Sparxell está a desenvolver vários projetos piloto financiados e recebeu uma bolsa de 1,9 milhões de euros do Conselho Europeu de Inovação. Lançou também tintas têxteis de base vegetal em parceria com a Positive Materials.