A implementação progressiva do Digital Product Passport (DPP), imposto pela União Europeia, está a redefinir as regras de acesso ao mercado comunitário e a colocar as empresas perante novas exigências de transparência, rastreabilidade e gestão de informação.

O tema estará em destaque no DPP Summit Guimarães, que se realiza no próximo dia 28 de janeiro, reunindo especialistas, empresas e entidades públicas para discutir os riscos e desafios associados à nova obrigação regulamentar.

O DPP exige que as empresas disponibilizem informação estruturada, fiável e verificável sobre os produtos ao longo de todo o seu ciclo de vida, desde a origem das matérias-primas até ao fim de vida e reciclagem. Esta exigência transforma a sustentabilidade num critério de conformidade e de permanência no mercado europeu, deixando de ser apenas um elemento reputacional.

Segundo João Pedro Pinto, da Aliados Consulting, a falta de preparação pode ter consequências diretas para as empresas. “Quem não conseguir responder às exigências do DPP arrisca-se a ficar fora de cadeias de fornecimento europeias, perder contratos com grandes distribuidores ou enfrentar auditorias bloqueadas por falta de informação”, alerta.

Entre 2026 e 2030, setores como têxtil e vestuário, calçado, mobiliário, equipamentos elétricos e eletrónicos, baterias, materiais de construção, plásticos, embalagens e metais terão de demonstrar a origem dos seus produtos, o impacto ambiental e a sua capacidade de circularidade. Para muitas empresas, sobretudo PME, isso implicará a criação de sistemas capazes de recolher e gerir dados sobre fornecedores, matérias-primas, pegada de carbono, certificações ambientais, durabilidade e instruções de reciclagem.

A curto prazo, a não conformidade poderá traduzir-se em dificuldades de comercialização e de integração em cadeias de valor internacionais. A médio prazo, o risco passa pela exclusão de mercados, perda de contratos e aumento de custos operacionais associados a adaptações tardias.

O DPP Summit Guimarães pretende analisar este novo enquadramento a partir de casos práticos e experiências concretas. O encontro contará com a participação de entidades como o IAPMEI, Herdmar, Indelague, Leroy Merlin, o Instituto CCG da Universidade do Minho, a F3M, a APICER, o Grupo ACA e o CTCP – Centro Tecnológico do Calçado de Portugal.

A diversidade dos participantes permite enquadrar o DPP como um desafio operacional e estratégico, que exige transformação interna, interoperabilidade de sistemas e maior articulação entre fornecedores, fabricantes e distribuidores. O programa inclui ainda a apresentação de uma ferramenta digital desenvolvida pela Testbed Greentech Lab, criada para apoiar PME na emissão de passaportes digitais de produto.

Organizado pela Testbed Greentech Lab e promovido pela Aliados Consulting, o evento decorre no Instituto CCG/ZGDV, em Guimarães, Capital Verde Europeia 2026. A participação é gratuita, mediante inscrição previa: https://aliados.consulting/dpp-summit-guimaraes/